
“Eu sou o Senhor; este é o meu nome. Não darei a outro a minha glória, nem às imagens o meu louvor.” — Isaías 42:8
Quero iniciar, primeiramente, dizendo sobre esse grande ato que todo cristão começa a ter a partir do momento em que se converte ao Senhor Jesus Cristo e passa a ter, dali em diante, uma convivência diária por meio do Espírito Santo. Algo que faz parte também das nossas orações matinais, das nossas orações noturnas e que representa um grande passo de fé e de comunhão com o nosso Deus. Refiro-me às nossas petições ao Senhor.
Pedir coisas a Deus demonstra um ato de fé genuíno. Se você confia que o seu Senhor é poderoso, forte e soberano o suficiente para que você se deleite em seus braços como um filho amado, e como filho amado, peça coisas como quem pede a um pai, saiba que, nesse simples ato, há o exercício da fé sendo colocado em prática.
De forma alguma Deus deixará uma pessoa sem resposta ou desamparada ao lhe pedir algo. Não faz parte do caráter do nosso Deus deixar-nos sem uma resposta, seja ela positiva ou negativa, ou até mesmo um “espere” para tudo aquilo que nós solicitamos. Entretanto, existem aqueles que, mesmo fazendo pedidos a Deus, têm o simples receio de que não serão atendidos.
Precisamos analisar, portanto, por qual motivo muitas das nossas orações e muitos dos nossos pedidos chegam a não ser nem mesmo ouvidos pelo Pai. Muitos cristãos, novos convertidos ou até mesmo mais eruditos na fé, passam por esse receio de solicitar algo a Deus, achando que estão inflando o próprio egoísmo e, por conta disso, acabam tendo medo de pedir. Isso é algo muito errado aos olhos da fé. Não é típico de um bom cristão, que possui uma fé verdadeira, estar com medo durante suas petições.
Há um perigo em solicitar as coisas de Deus tendo medo desse ato, e acabar caindo no erro de nunca mais se permitir desejar algo verdadeiramente. E isso, de fato, afeta o nosso coração. Vai de encontro à nossa identidade e à nossa confiança como verdadeiros filhos. Esses receios de solicitar algo a Deus, por medo de que o coração esteja pedindo de forma errada, levam ao esfriamento da fé. Por isso, hoje, creio que esta palavra seja direcionada a você que deixa de solicitar coisas a Deus, pelo amedrontamento de estar pedindo pelos motivos errados. Espero que, até o final, você possa compreender e fazer uma autoanálise de como está o seu coração pedinte diante do Criador.
Pois bem, seguirei agora sobre esse tema tão importante que encontramos ao longo de toda a Escritura e que engloba muitos aspectos do Evangelho. Trata-se de algo que vai diretamente contra Deus e contra todo o princípio espiritual que Ele nos solicita seguir: a idolatria.
I. A primeira delas está descrita em Colossenses 3:5:
“Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria.”
Ganância! Esse é o primeiro ponto que quero abordar com você. De fato, os homens são gananciosos, e isso pode ser comprovado ao observarmos os descrentes, que vivem suas vidas perseguindo algo com o objetivo de satisfazer os próprios desejos. Temos muitos exemplos de ganância nos dias de hoje. Muitas pessoas buscam incessantemente riquezas e bens materiais. Outras manifestam sua ganância no desejo de constituir uma família. Muitos procuram satisfazê-la por meio de superioridade, reconhecimento e cargos de destaque.
Saibam que tudo aquilo que provém da ganância, conforme Colossenses nos ensina, é idolatria.
A idolatria vem de tempos antigos, quando os homens faziam imagens de quadrúpedes e répteis para que, em vez de Deus, fizessem seus pedidos a elas e as celebrassem. Afinal, uma estátua não pode dizer “não”. E, se de fato existe algum poder por trás de uma imagem capaz de influenciar o coração do homem, essa influência sempre tenderá ao pecado. Sabemos que o inimigo age assim. Sabemos também que o coração enganoso do homem age assim, buscando o próprio benefício e não a vontade de Deus.
Já Deus pode nos dizer o contrário. A resposta de Deus para uma oração pode muito bem ser um “não”. Deus pode responder: “Não quero que você realize tal desejo”; “não quero que você tenha tal cargo”; “não quero que você possua esse veículo agora”; “quero que a sua propriedade demore um pouco mais para chegar”; “não quero que a sua esposa venha neste ano”; ou ainda: “não quero que o seu marido se revele tão cedo para você”. Portanto, os homens passaram a procurar algo que os correspondesse de acordo com a própria vontade, sem risco de contrariedade. Não aceitam o “não”, porque o “não” não sacia a sua ganância. Irmãos, a ganância é uma ferida na alma e um forte indicador da idolatria dos homens. Não caiamos, portanto, nas garras da ganância.
II. Outro ponto que também compõe a idolatria está descrito em 1 Samuel 15:23:
“Pois a rebeldia é como o pecado da feitiçaria, e a arrogância como o mal da idolatria.”
Destaco aqui especialmente esta expressão: “a arrogância como o mal da idolatria”. A arrogância nasce justamente desse princípio de não aceitar o confronto, de não se deixar corrigir. O Cristo, o Deus grandioso, em Espírito, tem como princípio ao adentrar no coração dos homens a confrontação do próprio ser humano. Porque o coração do homem, como já disse inúmeras vezes, é enganoso, inclinado ao pecado, e o pecado não gosta de ser contrariado. Por isso dói tanto a transformação de um cristão. A abnegação de si mesmo produz dor no interior de qualquer pecador, especialmente quanto maior e mais dura for a sua arrogância.
Um ídolo antigo como os de madeira e metais, ou mesmo um ídolo imaterial do nosso tempo, não conversa com você e não possui relacionamento algum. Ele não é capaz disso. Diferente do nosso Deus verdadeiro e imaculado. Um ídolo jamais contrariará o coração humano. Portanto, a arrogância do homem nunca será testada por um falso deus. A idolatria depende da arrogância para se fortalecer. Quanto mais algo alimenta a arrogância, mais facilmente conquista o coração do homem. Pensemos agora em um personagem bíblico cujo principal traço foi justamente a arrogância: o rei Saul. Sua atitude em certo momento revelou alguém que se considerava superior aos outros, manifestando orgulho ostensivo, prepotência e, muitas vezes, desprezo pelo próximo. O texto continua dizendo:
“Assim como você rejeitou a palavra do Senhor, Ele o rejeitou como rei.”
Nesse contexto, Saul estava sendo confrontado pelo profeta Samuel justamente por causa de sua arrogância. Ao permitir que o poder lhe subisse à cabeça, passou a acreditar que era maior do que os demais e que não deveria ser contrariado, corrigido ou diminuído em hipótese alguma.
Ao invés de honrar ao Deus Altíssimo, Saul passou a idolatrar a si mesmo por meio da sua arrogância.
III. Agora quero falar com você que acredita que a arrogância ou a ganância possam estar presentes em seu coração.
De fato, irmãos, todos os cristãos são pedintes diante de Deus, após terem sido iluminados pela infinita graça manifestada em Cristo Jesus. Quero direcionar este trecho especialmente àqueles que fazem suas petições ao Senhor e sabem que estão pedindo por motivos nobres. Vocês que pedem por motivos nobres pedem visando a honra e a glória de Deus. E este é o mais elevado e puro motivo pelo qual Deus aceita as nossas orações. Se você pede pelo encontro de um cônjuge ou por uma bênção familiar, deseja que sua família esteja mais próxima de Deus ou que aquela que será formada venha por meio dEle e de acordo com a Sua vontade. Se você pede por um cargo empresarial ou uma posição de autoridade, deve existir em seu coração o desejo de honrar e glorificar a Deus por meio dessa posição. Se você pede por um bem material, uma moradia ou um veículo, o seu desejo deve ser que esses recursos sirvam para a honra e glória de Deus e para o benefício dos demais irmãos. É isso que deve habitar no coração do bom pedinte quando apresenta suas solicitações diante do Senhor, confiando que Ele responderá.
No entanto, aqueles que identificam em si mesmos a arrogância e a ganância que produzem a idolatria pedem por motivos errados. Se você pede por algum bem material carregando em seu coração a ganância e a arrogância, sua solicitação não é nobre.
Olhemos ao redor da nossa comunidade e não precisaremos ir muito longe para identificar quantas pessoas arrogantes desejam posições de destaque em nosso meio. Observemos um pouco mais e perceberemos quantos gananciosos também estão misturados entre os santos. Irmãos, peço que vocês não sejam assim. A ganância não produz fruto bom, e a arrogância muito menos. Ambas são características de um pedinte idólatra que não está interessado em cumprir a vontade do Alto, mas apenas a sua própria vontade arrogante e gananciosa.
Quanto àqueles que andam por esses caminhos e alimentam esses desejos em seus corações, eu recomendo que parem de pedir! Estão dando a outro a glória de Deus. Estão oferecendo às imagens criadas em suas próprias mentes o louvor que pertence exclusivamente ao Senhor. Se ainda houver alguma parcela de temor em seus corações, não desejarão continuar aborrecendo a Deus com petições impuras. Esses devem, antes de tudo, clamar por perdão. E, depois de receberem o perdão, voltar a pedir que o Espírito Santo opere neles a destruição da ganância e da arrogância que os tornaram idólatras.
E para aqueles que não pedem nada a Deus pelo simples medo de cair nessas ciladas do desejo humano, aconselho que fortaleçam a sua fé em Deus. Comecem pedindo justamente por isso: “Deus, dá-me mais fé, para que eu possa confiar mais em tua provisão e me apoiar em tuas promessas, livrando-me de idolatrar a mim mesmo e aos meus próprios desejos.” Solicite isso ao Senhor e torne-se um nobre pedinte do Pai.
Que o Senhor Jesus Cristo encontre vocês sempre com bons pedidos e com um coração mais reto. E que aquilo que está escrito no livro de Tiago venha ao encontro de seus corações.
Vocês cobiçam coisas, mas não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vivem lutando e fazendo guerras. Não têm, porque não pedem. Pedem, mas não recebem, porque pedem com más intenções, com o fim de gastar nos seus prazeres. Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Portanto, se alguém quiser ser amigo do mundo faz‑se inimigo de Deus. Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes? Ele, porém, concede‑nos graça maior. Por isso, diz a Escritura: "Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes". — Tiago 4:2-6
