A Palavra nos chama a abandonar a confiança no próprio entendimento e nos submeter à vontade de Deus: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.” (Provérbios 3:5).
Mas essa disposição exige que o nosso ego seja colocado no lugar de morte. Jesus não chamou seus discípulos apenas para aprenderem seus ensinamentos, mas para negarem a si mesmos, tomarem a cruz e O seguirem (Lucas 9:23). A cruz confronta o nosso “eu”, porque seguir Cristo significa reconhecer que a nossa vontade não ocupa mais o centro.
Paulo cita em Gálatas 2:20: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” O coração ensinável diz: “Eu ainda preciso aprender.” O ego rendido diz: “Minha vontade não precisa prevalecer.” E os dois encontram seu propósito em Cristo: diminuir para que Ele cresça (João 3:30). Por isso, acredito que maturidade espiritual não é só acumular conhecimento bíblico, mas permitir que a Palavra confronte, corrija e transforme aquilo que somos. É ter humildade para aprender e coragem para morrer para si mesmo, até que nossa vida deixe de apontar para nós e passe a revelar cada vez mais quem Cristo é.
Assim, um coração ensinável permite que Deus nos mostre quem somos; um ego rendido permite que Ele transforme aquilo que precisa morrer. A Palavra revela, a correção confronta e a obediência responde.
Talvez o verdadeiro desafio seja parar de perguntar apenas “o que Deus pode fazer através de mim?” e começar a perguntar “o que Deus ainda precisa fazer em mim?” Porque antes de sermos usados por Deus, precisamos estar dispostos a ser moldados por Ele.
No fim, o objetivo não é simplesmente saber mais sobre Cristo, mas parecer mais com Cristo. E isso exige um coração que permaneça aberto para aprender e uma vida que esteja disposta a diminuir para que Ele cresça.
Tiago 1:22 Lucas 9:23