
Existe uma frase que, dependendo do momento, pode ser muito bonita: “Vou colocar nas mãos de Deus.”
O problema é quando colocamos nas mãos de Deus aquilo que Ele colocou nas nossas.
No livro de Neemias, especificamente no capítulo 4, o povo estava reconstruindo os muros de Jerusalém, mas começou a sofrer ameaças. Neemias 4:9 diz: “Porém nós oramos ao nosso Deus e pusemos uma guarda contra eles, de dia e de noite.” E olha que interessante, eles oraram. Mas também colocaram um guarda.
Neemias não colocou oração contra posicionamento. Ele colocou os dois juntos.
Oração não anulou a atitude.
E talvez essa seja uma das coisas que mais precisamos entender: Confiar em Deus não significa abandonar a responsabilidade que Ele colocou em nossas mãos. E às vezes ficamos esperando Deus fazer sobrenaturalmente algo que Ele espera que nós façamos com maturidade!
Outro exemplo que temos, fica em Gálatas 2:11-14. Pedro estava agindo de maneira incoerente com aquilo que pregava, e Paulo percebeu. Ele diz: “Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos...”, ou seja, Paulo tomou uma atitude. E Paulo não estava confrontando Pedro porque o odiava. Ele estava o confrontando porque amava a verdade! Não é relevante comprar briga por razão, muito menos discutir sobre coerência, acredito que essa não era a visão de Paulo diante da situação, mas sim a necessidade de se posicionar diante de algo que estava sendo feito de maneira errada. Existem momentos em que ficar em silêncio não é maturidade, é omissão.
Tiago 1:22
Então não use “sou cristão” como desculpa para permanecer em situações que estão destruindo você. E também não use “preciso me posicionar” como desculpa para guardar rancor. Ter posicionamento é usar a palavra da verdade, e isso também exige amor.
Efésios 5:11
A Bíblia nunca apresenta fé como uma desculpa para a inércia. Neemias orou e construiu. Os discípulos confiaram em Jesus e caminharam. Existe uma parte que só Deus pode fazer. Mas existe uma parte que é nossa. E ter maturidade é aprender a diferenciar as duas.
Posicionamento não é falta de espiritualidade. Posicionamento também pode ser obediência. Porque existem batalhas que precisam ser enfrentadas em oração. Mas existem situações em que, depois de orar, é hora de levantar e fazer alguma coisa.
Agora, uma das partes mais difíceis do posicionamento não é saber como se posicionar, mas perceber quando é necessário se posicionar. Porque nem toda situação precisa de uma reação. Nem toda discordância precisa virar confronto. Nem toda coisa que nos incomoda precisa ser corrigida. Existe uma diferença entre se posicionar por aquilo que realmente importa e simplesmente reagir porque fomos contrariados.
Provérbios 16:18
Por isso, antes de se posicionar, é necessário olhar para dentro e perguntar: “Estou fazendo isso porque é certo ou porque meu ego foi atingido?”
Em Êxodo 14:15, Israel estava diante do mar Vermelho. Moisés clamava ao Senhor, e Deus diz: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem.” Deus não estava dizendo que orar era errado. O próprio povo precisava confiar nEle. Mas havia chegado um momento em que continuar parado não era mais uma demonstração de fé.
Era hora de andar.
E talvez existam momentos na nossa vida em que Deus também está dizendo: “Você já sabe o que precisa fazer.” Você já orou, já pediu direção, já pediu confirmação, já conversou com Deus sobre aquilo. Mas continua esperando uma resposta que talvez já tenha vindo através daquilo que Ele deixou claro na Palavra, através da sabedoria, das circunstâncias e da consciência de que determinada atitude precisa ser tomada.
No final, confiar em Deus não significa não fazer nada. Significa confiar nEle enquanto fazemos, com coragem e sabedoria, aquilo que Ele colocou em nossas mãos.
Ore. Discernia. Posicione-se. E faça a sua parte.