Nossa identidade não deve ser construída apenas sobre aquilo que fazemos, sobre o que perdemos ou sobre a imagem que tínhamos de nós mesmos. Biblicamente, nossa identidade encontra seu fundamento em quem Deus diz que somos.
Mudanças podem nos fazer questionar quem somos Quando a vida muda, é comum pensar: “Se eu não sou mais aquilo que eu era, então quem eu sou agora?” Isso aparece muitas vezes na Bíblia. Bíblia mostra pessoas que passaram por mudanças profundas e precisaram descobrir como continuar caminhando com Deus. Paulo escreve: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” — 2 Coríntios 5:17 Observe algo interessante: Paulo não diz que a pessoa simplesmente perdeu quem era. Ele diz que ela se tornou nova. A mudança não significa necessariamente que sua história deixou de ter valor. Significa que sua história passou a ter um novo significado em Cristo.
Aceitar quem você é não significa aceitar tudo em você Aqui existe uma diferença muito importante. A Bíblia não ensina: “Aceite tudo em você exatamente como está.” Ela ensina algo mais profundo: Reconheça quem você é diante de Deus e permita que Ele transforme aquilo que precisa ser transformado. Paulo diz: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” — Gálatas 2:20 Ou seja, a identidade cristã não é simplesmente: “Eu preciso descobrir quem eu sou.” É: “Preciso descobrir quem sou em Cristo.” Isso muda completamente a perspectiva.
Pedro é um ótimo exemplo Pedro tinha uma imagem muito específica de si mesmo. Ele era impulsivo, corajoso, queria demonstrar força e chegou a afirmar que jamais abandonaria Jesus. Mas depois de falhar, provavelmente precisou enfrentar uma pergunta dolorosa: “Quem sou eu depois de ter falhado?” Jesus não simplesmente descartou Pedro. Em João 21, Jesus o restaura. Isso é muito importante: o fracasso de Pedro não recebeu a palavra final sobre a identidade dele. Deus não olhou para Pedro e disse: “Você é o homem que me negou.” Ele continuou trabalhando nele. Isso nos ensina que um acontecimento da nossa vida não precisa se tornar nossa identidade.
Deus não exige que você continue sendo quem era Isaías 43:18-19 diz: “Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Eis que faço coisa nova.” Existe uma tendência humana de pensar: “Eu era feliz quando era daquele jeito.” “Eu era alguém quando tinha aquilo.” “Antes eu sabia exatamente quem eu era.” Mas Deus pode conduzir uma pessoa para uma fase completamente diferente. E existe uma pergunta melhor do que: “Como faço para voltar a ser quem eu era?” É: “Quem Deus está formando em mim agora?”
Nossa identidade não depende da nossa utilidade Esse talvez seja o ponto mais forte para relacionar com o tema do Homem-Aranha. Às vezes confundimos: “Eu sou aquilo que faço.” com “Eu faço aquilo porque sei quem sou.” A Bíblia coloca a identidade antes da missão. Antes de Jesus começar seu ministério público, o Pai declara: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” — Mateus 3:17 Perceba: primeiro vem a identidade; depois vem a missão. Jesus não precisava realizar milagres para provar que era Filho. Isso também vale para nós. Você não precisa ser extremamente útil, produtivo, admirado, forte ou bem-sucedido para possuir valor diante de Deus.
Romanos 12:2 mostra como essa transformação acontece “Transformai-vos pela renovação da vossa mente.” A mudança começa também na maneira como pensamos. Quando algo muda na nossa vida, podemos interpretar: “Eu perdi quem eu era.” Mas podemos aprender a pensar: “Deus continua trabalhando em quem estou me tornando.” Essa é uma diferença enorme.