Aquilo que recebe constantemente nossa atenção começa a ocupar espaço dentro de nós. Quando ouvimos a palavra idolatria, normalmente pensamos em estátuas, imagens ou deuses antigos. E hoje em dia também temos um pouco de noção quanto ao uso do celular ou de redes sociais se tornarem um empecilho para um relacionamento com Jesus, o que também é idolatria. E idolatria por si só já é bem abrangente, é tudo o que nos tirar o foco de Cristo. É aquilo que retira a posição de governo de Cristo sobre nossa vida.
E existe uma forma ainda mais sutil de idolatria: quando transformamos pessoas em aquilo que queremos que elas sejam. Às vezes, a carência não nos faz apenas desejar alguém. Ela nos faz interpretar alguém. Nosso coração (cujo enganoso), começa a moldar sinais a partir do que desejamos que aquela pessoa faça, do que queremos que ela seja. Começando a adorar uma imagem criada pelas nossas próprias expectativas. É possível transformar alguém em resposta antes mesmo de Deus responder, e aquilo que controla nossa atenção, pouco a pouco, começa a controlar nossos afetos.
Mateus 6:21 Filipenses 4:19
A Bíblia não nos chama a viver sendo conduzidos por tudo aquilo que sentimos. Pelo contrário Provérbios 22:3. Esse versículo traz a percepção de alguém que se deixa levar, ou que é relaxado, alguém que não sabe o que faz. E traz sua consequência, que é acreditar em qualquer coisa. Ver sinais onde não tem, criar falsas expectativas, e automaticamente, se frustrar. E traz a percepção de alguém que ao contrário do ingênuo, sabe aonde pisa, alguém prudente! Alguém que sabe o que faz. Que tem a mente blindada, que age por razão mesmo tendo fortes emoções, e que confia no Senhor e sorri diante do futuro.
É inevitável acabar se interessando por alguém, mas isso não pode se tornar pedra de tropeço para a sua caminhada, e sim, uma mochila para continuar o caminho. Não é só porque alguém tem os mesmos gostos que você, que ela é destinada a estar contigo, não é preciso desenvolver uma necessidade de ter alguém na nossa vida só porque esse alguém tem os mesmos propósitos que nós, ou porque tem os mesmos gostos que nós, e até porque estão nos mesmos ministérios que estamos. Isso não é um sinal, sua visão está embaçada. E isso tanto vale para relacionamentos de amizades, quanto para futuro relacionamento. Gerar expectativas também pode gerar frustrações, nada é certo nessa vida a não ser o Senhor. Por isso é tão importante pensar antes de agir, e não acabar entregando meu coração para um desconhecido, por alguém que criamos uma imagem que talvez não seja real.
Outro perigo nesse mesmo nicho: antecipação romântica Provérbios 19:2.
Você começa a agir como se tivesse um compromisso que não existe. Cria expectativas, cobra atitudes, sente ciúmes, faz planos, muda suas decisões por aquela pessoa e passa a organizar o coração em torno de alguém que, na realidade, ainda não ocupa esse lugar na sua vida. Quando gostamos, temos a tendência de justificar o que normalmente perceberíamos. Aquilo que em outra pessoa seria um problema, nela parece “um detalhe”. Os defeitos ganham desculpas. As qualidades ganham proporções enormes. E, de repente, começamos a enxergar menos a pessoa real e mais a pessoa que queremos que ela seja. E isso também é idolatria. Porque, mesmo sem um relacionamento, aquela pessoa já começa a receber uma atenção, uma prioridade e uma importância que deveriam estar submetidas primeiro a Cristo.
No fim, guardar o coração não é deixar de sentir, mas aprender a não ser governado pelo que sentimos. É colocar cada desejo, cada pessoa e cada expectativa debaixo do governo de Cristo. Não transforme paixão em propósito, coincidência em sinal, pessoa em fonte ou expectativa em promessa. Cristo é suficiente!
Até amanhã!