
Quando a saudade se transforma em reflexão
Neste estudo
Tem algum tempo determinado para passar pelo luto? Existe alguma fórmula que torne esse processo mais fácil? O que a Bíblia diz sobre isso?
Essas três perguntas me fazem refletir não apenas sobre a dor da perda, mas também sobre os sentimentos que podem coexistir nesse momento. Existe a tristeza pela ausência de alguém que amamos, pela impossibilidade de compartilhar os próximos momentos importantes da vida e pela saudade de tudo aquilo que vivemos. Mas também existe a felicidade de saber que o sofrimento chegou ao fim e que, para aqueles que estão em Cristo, há a esperança da eternidade.
A Bíblia não estabelece um prazo para o luto, tampouco apresenta uma fórmula para que a dor desapareça. Em Eclesiastes 3:1–4, Salomão nos ensina que há tempo para todas as coisas, inclusive tempo de chorar e tempo de prantear. Já em João 11:35, vemos que até mesmo Jesus chorou diante da morte de Lázaro. Isso me faz compreender que sentir tristeza não significa falta de fé. Podemos ter esperança nas promessas de Deus e, ainda assim, sentir profundamente a ausência de alguém.
Mas, em meio a essas reflexões, existe algo que considero ainda mais importante: a maneira como escolhemos viver enquanto temos tempo.
Em Romanos 13:7, Paulo nos ensina a dar a cada um o que lhe é devido, incluindo honra a quem merece honra. E é justamente por isso que quero dedicar estas palavras à vida de uma pessoa que, assim como todos nós, era pecadora, mas escolheu viver para Cristo até o último dia de sua vida.
Nunca sabemos qual será nosso último dia nesta Terra, nem quando daremos nosso último suspiro. Recentemente, tive a oportunidade de acompanhar os últimos momentos de alguém muito importante para mim. E, diante dessa experiência, uma pergunta começou a surgir em meu coração: o que será que as pessoas dirão sobre mim quando eu fechar os olhos? Será que Cristo terá sido revelado por meio da minha vida? Será que as pessoas conseguirão enxergar Jesus nas minhas atitudes, nas minhas escolhas e na maneira como trato o próximo?
Afinal, de que adianta passar uma vida inteira preocupados com tantas coisas e nos esquecermos daquilo que realmente importa? Tiago 4:14 nos lembra que a nossa vida é como uma neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Temos uma vida nesta Terra, e isso deveria nos fazer refletir sobre a maneira como estamos utilizando o tempo que Deus nos concedeu.
Aidê Ordones da Silva
Filha, irmã, tia, mãe, avó e amiga. Uma mulher que escolheu viver para Cristo.
Sou uma pessoa bastante reservada, mas acredito que algumas histórias precisam ser compartilhadas, não para exaltar o ser humano, mas para glorificar a Deus por aquilo que Ele faz por meio de uma vida que se dispõe a servi-lo.
Sua história é um exemplo de fé, obediência, gratidão e amor. Mesmo diante de uma doença tão difícil, o câncer no cérebro, e de todo o sofrimento que acompanhou seus últimos dias, ela continuou demonstrando sua fé. Poderia ter se entregado às reclamações ou à revolta diante de tudo o que estava enfrentando, mas, mesmo em meio à dor, permaneceu agradecida, enquanto ainda tinha lucidez. Cantava louvores e adorava a Deus.
E é justamente isso que mais me faz refletir: como alguém, mesmo diante de tanto sofrimento, consegue continuar encontrando motivos para louvar a Deus?
Em 1 Tessalonicenses 5:18, Paulo nos orienta a dar graças em todas as circunstâncias, pois essa é a vontade de Deus para nós em Cristo Jesus. Não significa que precisamos gostar do sofrimento ou ignorar a dor, mas que podemos continuar reconhecendo a soberania e a bondade de Deus mesmo nos momentos mais difíceis.
E, quando penso nela, existe uma característica que imediatamente me vem à memória: o louvor.
Lembro-me da minha infância, de como ela despertou em mim esse amor pela música. Colocava os louvores e passava o dia inteiro cantando e adorando ao Senhor. E uma das coisas mais marcantes era que ela cantava alto, sem se preocupar se estava afinada ou não. Simplesmente louvava com todo o coração.
Entre tantos louvores, existe um que ficou especialmente marcado na minha memória: Eu Quero É Deus, da Comunidade de Nilópolis.
E, pensando bem, era exatamente isso que ela demonstrava querer: Deus.
Mas, diante dessa lembrança, uma pergunta precisa ser feita a mim mesma e a todos nós: será que também queremos Deus dessa maneira?
Será que temos buscado a presença dele com a mesma disposição com que buscamos tantas outras coisas? Será que nossa vida tem demonstrado que Cristo realmente ocupa o primeiro lugar? Será que, quando enfrentamos dificuldades, continuamos adorando ou só nos lembramos de Deus quando tudo está bem?
Em Mateus 6:33, Jesus nos ensina a buscar primeiro o Reino de Deus e a sua justiça. Entretanto, muitas vezes, complicamos aquilo que deveria ser essencial. Gastamos tanto tempo preocupados com conquistas, planos, expectativas e coisas passageiras que nos esquecemos de dedicar a Deus aquilo que temos de mais precioso: nossa própria vida.
Não se trata de viver sem planos ou de deixar de aproveitar as oportunidades que Deus nos concede. Trata-se de compreender que tudo isso precisa estar submetido a um propósito maior: glorificar a Deus.
Em 1 Coríntios 10:31, Paulo nos ensina que, quer comamos, quer bebamos ou façamos qualquer outra coisa, devemos fazer tudo para a glória de Deus. Isso significa que glorificar a Deus não se limita aos momentos de louvor, às orações ou aos cultos. Está também na maneira como trabalhamos, amamos, servimos, perdoamos e tratamos as pessoas.
A vida cristã não é apenas sobre aquilo que dizemos acreditar, mas também sobre aquilo que nossas atitudes revelam.
E talvez essa seja uma das maiores reflexões que ficam para mim: não devemos esperar chegar ao fim da vida para descobrir se realmente vivemos para Cristo. Precisamos fazer essa reflexão enquanto ainda temos a oportunidade de mudar nossas atitudes, corrigir nossos caminhos e servir ao Senhor.
A morte nos lembra da brevidade da vida, mas a Palavra de Deus nos ensina que aquilo que fazemos para o Senhor não é em vão 1 Coríntios 15:58.
Não quero que a reflexão sobre o luto se limite à tristeza pela ausência de alguém. Quero que ela também me leve a uma transformação pessoal. Que a lembrança de uma vida dedicada a Deus não seja apenas motivo de saudade, mas também um convite para examinar a minha própria caminhada com Cristo.
Não podemos escolher quanto tempo teremos nesta Terra, mas podemos escolher, hoje, a quem dedicaremos nossa vida.
E, se há algo que quero levar dessa experiência, é a importância de viver uma fé que não se limite às palavras, mas que seja demonstrada diariamente, inclusive nos momentos em que tudo parece difícil.
Que, ao final da nossa caminhada, nossa vida também possa apontar para Cristo. Que as pessoas não se lembrem apenas do que conquistamos, mas de como amamos, servimos, perdoamos e glorificamos a Deus.
Afinal, só temos uma vida nesta Terra. Que ela seja vivida para a glória daquele que verdadeiramente merece toda a nossa adoração: Jesus Cristo.
"Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro."
Filipenses 1:21 (NVI)
Referências neste estudo
- Eclesiastes 3:1-4
- João 11:35
- Romanos 13:7
- Tiago 4:14
- 1 Tessalonicenses 5:18
- Mateus 6:33
- 1 Coríntios 10:31
- 1 Coríntios 15:58
- Filipenses 1:21